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tempo rei

Não é à toa que dizem a quem escala um paredão "não olhe para baixo". Porque o escalador vai solidamente parede acima sem o medo natural de altura -- ou, melhor, de cair de uma altura. Basta que olhe para baixo para que seja lembrado: qualquer deslize é o fim. Então esse medo pode se tornar numa profecia auto-realizável, e aquele, que antes seria capaz o suficiente de escalar com ou sem dificuldade, acaba por cair de cara no chão. É assim que eu me sentia com você. Você me lembrava sempre que atrás de mim estava o chão, e eu paralisava. Não queria cair. Quem que quer? Eu então parava, pausava. Mas o tempo não para. Nem você. E eu fiquei para trás. Sozinho. Sem problema. Isso não me fez nem me faria desistir de subir, de chegar. Eu só precisava de tempo e de esquecer a queda que me ameaçava. E não queria lhe atrasar. Quis que você pudesse continuar subindo e subindo, sem me ter como empecilho, peso no calcanhar. Então nos separamos. Seguimos nossos caminhos. Tudo bem. Meu erro foi achar que poderia lhe encontrar lá em cima, a me aguardar, quando, livre do medo, eu voltasse a ser capaz de continuar e fizesse jus ao meu potencial. Você diz que tivemos nosso tempo e que não é mais tempo, como se o tempo se apagasse ou terminasse. O tempo só se transforma. O tempo só transforma. Por isso repito a oração do Gil: "Tempo Rei, ó, Tempo Rei, transformai as velhas formas do viver". Amém.

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slip inside the eye of your mind

There is no one that is going to look at what I've done and say "good job". I still believe that what we do is for the sake of others, but it includes the other inside our selves also. Actually, more than sometimes, it is the only "other" left. For it is as it goes in the ancient egyptian text, Conversation of a man with his soul : "Whom can I talk to today? Brothers are evil and friends of today don't love each other. Whom can I talk to today? Kindness has vanished and rudeness has descended upon everyone. Hearts are greedy and every man is stealing things from his fellow. Whom can I talk to today? One is contented with evil and goodness is cast on the ground everywhere. Whom can I talk to today? there is no man's heart on which one may rely. None are righteousand the land is left to evildoers. I'm laden with misery for lack of an intimate friend". Then, the man finally comes to an understanding with himself: "What my soul said to me:...

a quem dar ouvidos?

Não sei por que ainda dou ouvidos a certas pessoas e suas ideias. Eu tento ouvir diferentes vozes, ver por diferentes pontos de vista, uma vez que, como diria Hegel, pode-se encontrar a verdade em lugares inesperados. Além disso, há sempre a possibilidade de estarmos errados em nossas opiniões por não levar em conta alguma informação ou ideia que nos escapa, e é proveitoso colocar as próprias ideias à prova, confrontando-as com outras. Desse confronto, saímos com nossas ideias reforçadas ou com novas. Enfim, debates sempre são profícuos. Mas estou ficando cansando de dar ouvidos a pessoas que não são honestas, que recorrem à retórica, a falácias e a falsidades. Estou cansado de ter que extrair a verdade de uma falsidade e de descobrir uma falsidade dentro da verdade. O pior mentiroso é o que começa dizendo a verdade mas não a diz toda – como a serpente no Éden –, e com esse nenhum debate é propício. 

insegurança, ciúmes e posse

  Claro! Porque insegurança é só outra palavra para ciúmes, não é? (Pergunta retórica com altas doses de ironia).  A insegurança não nasce da quantidade de pretendentes atrás da sua pessoa. Também não tem de ver com falta de autoconfiança. Até porque você pode ser uma Shakira da vida (alguém tem dúvidas da beleza e do talento dessa mulher?) e ainda assim ser traída e/ou trocada.  Não quero dizer que sentir-se inseguro é completamente culpa do outro. Todos têm suas questões pessoais. Mas grande parte do nosso sentimento de segurança depende da pessoa com quem estamos. Como podemos confiar no outro ou em nós mesmos quando somos invalidados? Mesmo que não haja ninguém "dando em cima" da pessoa, a desconfiança vem e nos perguntamos "será que ela me ama e quer estar comigo?".  Se tivéssemos essa certeza, não temeríamos nada. Creio até que deixaríamos de ter tanto sentimento de posse, o único que parece dispersar o medo da perda. A "síndrome de exclusividade" nã...