A sensação que dá andar de bike deve ser a que mais se aproxima da que voar dá. O vento toca nosso rosto e bagunça nosso cabelo. Nossos pés não tocam o chão, do qual estamos a uma altura inabitual, o que traz o medo de cair. Mas o gosto que isso traz é maior que o medo. Sem contar a liberdade. Poder ir aonde for. Até onde as forças permitem (e é além do que podemos imaginar e imaginamos poder).
Pensei nessa frase agora, e fico feliz de tê-la encontrado. É o que precisava ouvir. É o que preciso repetir todo dia. Posso ir além do que imagino poder e do que posso imaginar. Mas é preciso ir. Deixar de ser oprimido pela aterradora distância entre onde estou e onde quero estar. Quem sabe eu receba a mesma benesse que tive hoje depois de pedalar até o mar. Sentir o vento e o cheiro do mar faz a dor nas pernas ser mesmo um prazer.
E não importa se o tempo estiver fechado, nublado e chuviscando, como estava hoje. Mesmo assim, é prazeroso. O friozinho faz arrepiar. Tudo fica bonito quando o sol brilha ameno e deita sobre os prédios e as pessoas. Mas o tempo nublado também é bonito. E tem-se a certeza que o sol está por detrás. Ele está sempre lá. No tempo oportuno, ele aparece. O intuito é aproveitar o estágio de cada coisa. Até chegar ao destino. Até chegar o destino.
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